terça-feira, 13 de abril de 2010

Age of innocence

Clic. Clic. Clic.
Passava os canais em busca de algo decente para assistir e passar a longa noite que viria pela frente. Era uma sexta à noite e eu estava sozinha em casa. Já era quase de madrugada e a chuva caia fortemente lá fora. Em meio aos meus pensamentos e as mudanças de canais, percebo que há apenas filmes com cenas de sexo para conquistar o publico e atrair a sua atenção, e seriados insinuantes que giram em torno disto. A atualidade usa apenas isso para ganhar espectadores. Nenhum programa educativo, nenhuma ação sem ganância, sem luxúria. Não é apenas isso que as pessoas querem ver.
Deixo em um canal qualquer quando sinto meu celular vibrando ao meu lado, e pelo o visor vejo qual é a mensagem. “Olhe para fora.” dizia ela.
Por um momento hesitei em não olhar. Não queria vê-lo. Mas quando eu olhei, lá estava ele, parado na chuva olhando para mim pela janela. Hesitei de novo. Peguei lentamente o controle pensando no que eu faria e antes de desligar a TV, olhei para o que estava passando: uma cena de sexo. Uau! Porque não estou surpresa?
Fui até a porta, tropeçando em meus próprios pés. Suspirei, e abri. E lá estava ele, parado na minha frente. Com sua camisa listrada que eu tanto amava, seu cabelo escuro colado a sua testa por causa da chuva, seus olhos castanhos brilhando para mim. Senti aquele cheiro e fiquei entorpecida, senti seu toque e minhas pernas bambearam. Não resisti e fechei meus olhos. Seu nariz gelado e molhando encostou no meu. Me arrepiei, e ele percebeu, e soltou um sorriso de lado, aquele que eu tanto amava, e me beijou. Mas não foi um beijo romântico e calmo, foi um beijo com urgência, com saudades, com desejo. Entramos tropeçando em casa e ele me prensou rapidamente na parede. Nosso ritmo estava descompassado e eu sentia calor. Ele também, tirou a minha blusa e para não sair perdendo, tirei a dele também. Passei minhas unhas fortemente por suas costas e ele apertou mais minha cintura. Não conseguia mais respirar, mas e queria mais. E enquanto ele beijava meu pescoço, meus pensamentos estavam confusos e eu não conseguia me concentrar. E aquela sala estava ficando mais quente a cada segundo que passada e a necessidade só aumentava... Subimos com muito esforço as escadas até meu quarto. Eu já sabia aonde isso ia dar, e não era inocência. Sou uma hipócrita, porque realmente é isso que todos querem ver na TV... Ou não apenas ver.

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