1 de setembro de 2009.
Perdi meu chão por alguns minutos. Estava encarando o lago que tinha em frente ao banco que estávamos sentados, tentando imaginar como seria minha vida de agora em adiante. O que faria da vida sem ela. Sempre soube que esse dia chegaria, mas não sabia que seria tão cedo. Senti lágrimas descendo pelo o meu rosto e a minha respiração começar a falhar.
- Oliver? – Ela colocou a mão em meus ombros. – Vai ficar tudo bem.
Não, Jamie, não vai ficar tudo bem,pensei. Mas ao invés de dizer isso a ela, eu apenas concordei com a cabeça e a abracei.
- E-eu... vou visitá-la agora mesmo. – falei decidido.
- Olly, eu acho melhor não... – me soltei dela, indignado.
- O QUE? Mas eu quero! Eu preciso... Eu prometi a ela! E... Eu preciso ir, eu preciso... – parei de falar porque não conseguiria mais, era muita coisa para eu conseguir agüentar, era muito doloroso.
- Acho que mamãe vai preferir que você não vá também, vai ser melhor. E ela provavelmente só tem mais algumas horas, ninguém iria querer que ela passasse chorando... Desculpe ser insensível assim com você. Mas eu preciso ser realista. – Jamie disse tristemente acariciando minha mão. Eu estava fraco demais para discutir, mas eu não iria pra casa. Não mesmo.
- Tudo bem. – eu disse calmamente me levantando. – Vamos para casa.
O caminho até em casa foi longo e silencioso, só ouvia meu choro baixo. Depois de algum tempo chegamos em casa e eu subi direto para o meu quarto, não queria falar com ninguém. Peguei minha mochila e sai pela a sacada. Olhei para trás, e vi minha mãe na janela, fechei meus olhos e voltei a correr pelas as ruas até achar um táxi livre. Logo, eu estava em frente o hospital, encarando aquele prédio branco e quieto. Respirei fundo e entrei.
- Olá, por favor, qual o quarto da Amelia McRugh? – falei por baixo do fôlego.
- Só um momento que eu vou checar, Senhor.
- OK! – sorri fraco em resposta ao sorriso da recepcionista.
- 2º andar, à direita, quarto 212.
- Obrigada. – me virei e comecei ir na direção do elevador. Minha mão estava soando frio, e estava com a barriga revirando.
209, 210, 211, 212. Parei em frente à porta e fiquei encarando-a por um tempo. Puis a minha mãe sobre a maçaneta e antes de fira-la, a porta se abriu. E saiu uma simpática e cansada Sra. McRugh, mãe de Amy.
- Oliver, querido! – ela me abraçou fortemente. – Eu sinto tanto... Eu queria tanto que não fosse assim... – vi uma lágrima escorrendo pelo o rosto dela – O medico acabou de sair daqui para avisar que, você sabe.. – e vi seu choro aumentar aos poucos e me abraçar mais forte.
- Eu entendo. E eu também sinto muito, eu também.
- Vou deixá-lo a sós com ela. – disse enxugando suas lágrimas. – Preciso de um café. – e se retirou pelo o longo corredor.
Encarei o quarto branco, com as cortinas beges e o sofá preto. Essa não poderia ser a hora dela, eu não podia deixá-la. Dei mais alguns passos em direção à cama que ela estava deitada. Ela estava tão fraca, tão vulnerável, tão... Tão. Mas mesmo assim, conseguia ficar linda. Com os olhos verdes brilhando, e seu cabelo castanho todo bagunçado. Ela me olhou, com ternura nos olhos.
- Olly... – ela falou baixinho. – eu sabia que você viria. – e me deu um sorriso fraco.
Ela estava ligada a todos aqueles aparelhos e tenho certeza, que se eu pudesse, eu queria estar no lugar dela, ela não merecia. Aproximei-me e peguei a sua mão, a beijando.
- Claro que eu viria Amy, pare de ser boba. Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, claro que eu viria. – juntei os nossos lábios em um demorado selinho. Ela sorriu e eu retribui seu sorriso. Vi-a fechando seus olhos e afrouxando nossas mãos. Vi a linha do painel ficar reta e aquele indesejável barulho, começar.
- NÃO, AMY! POR FAVOR, FICA AQUI COMIGO! – chorava desesperado, e foi quando a porta se abriu e entraram os enfermeiros, logo após os médicos e a sra. McRugh. Ela correu até mim e me abraçou forte.
1 de outubro de 2009.
Agora eu estou aqui no mesmo banco, olhando para o mesmo lago depois de um mês. Mas agora as flores estão nas arvores, e a vista esta linda. Amy iria adorar, era a estação preferida dela. Algumas pessoas me perguntam se valeu a pena ter ido ver ela, e foi a melhor coisa que eu já fiz em toda a minha vida. Vê-la sorrir e falar: "eu sabia que você viria". Senti uma lágrima. Tudo me faz lembrar dela o tempo todo, e eu fico feliz por isso. Esta sendo difícil superar tudo sem ela. Todas as semanas, os dias, as horas, sem ela. Sinto-me perdido. Estava olhando as nossas fotos. A nossa formatura, a nossa viajem, o nosso primeiro beijo. E nesta ultima, tinha uma mensagem com a linda letra dela.
“Thanks for the memories.
I love you so much.
F&A yours. Love, A.”
Forever e Always, assim que será. Senti um vento batendo em mim, um vento tranqüilizante.
E foi o mês de setembro mais sozinho que eu já tive.