- Alô?! – Eu disse sonolenta. Afinal, quem liga na casa de alguém as, hm, quatro horas da manhã?
- Joanna? É você? – Uma voz conhecida falou do outro lado da linha. Meu coração parou. – Alô?! Tem alguém na linha?
- Sim. Ei. – Disse sem fôlego. Depois de tanto tempo eu ainda me sentia assim apenas de ouvir a voz dele. Patética.
- Ei. – Ele disse. – Me desculpe por ligar essa hora. Eu queria ter ligado antes, mas eu fiquei com medo. Mas eu não podia deixar passar, hoje fazem...
- Dois anos. Eu sei. – Cortei ele.
- Você ainda lembra, mesmo depois de tudo. – Sorri fraco. Como poderia me esquecer?
- Não me orgulho disso, mas como poderia esquecer da...
- Melhor parte de mim. – Falamos juntos. – É. – Tenho certeza que corei nessa hora.
- Anna, eu queria te mostrar algo... – E logo após isso eu só ouvi a linha ficar completamente sem som.
- Alô?! Alô?! Anthony? Droga. – Desliguei o telefone e o coloquei no lugar. Levantei-me em direção a minha escrivaninha. A nossa foto, ela ainda estava lá. Nunca consegui tirá-la, ela é tão bonita, tão real. Mesmo depois de todos falarem que isso piorava tudo, eu não ligava. Não queria esquecer-se dele, não mesmo. Era a foto mais bonita que eu já tinha visto e ela significava tanto. Estamos dançando, na foto, quero dizer. Estávamos só eu e ele naquela praia, era noite e o brilho dos vagalumes nos iluminava, e se a foto pudesse emitir sons, teria apenas dos grilos. Foi a melhor noite que eu me lembro. Sem perceber, eu estava chorando. Sentei-me no chão e me agarrei aquela foto, como se o mundo fosse acabar ali. De repente ouvi um barulho vindo da janela, estava escuro, mas eu consegui vê-lo. Hesitei em deixá-lo lá fora, não queria passar por tudo de novo. Mas sei que não conseguiria fazer isso, então fui andando devagar até chegar a minha sacada. Ele estava lá fora, na escuridão, sendo iluminado apenas pela a lua e pelas estrelas. Meu coração parou, ele costuma fazer isso na presença dele. Abri a porta e dei um passo em sua direção. Ele se sentou e enquanto ajustava as cordas do violão, me disse:
- Eu queria te mostrar isso... – E começou a tocar seu violão e a cantar uma musica que eu não conhecia.
- “Little Joanna’s got big blue eyes...”
Minhas pernas bambearam. Optei por sentar em frente a ele, porque não agüentaria tudo isso em pé.
- “Coconut cream on coffee coloured thighs.
I could die lying in her arms.
Where castles are made of sand,
We start to dance, but only the music is bleating
When crickets replace the band”
Ele me olhava profundamente enquanto cantava. E eu estava tão encantada que às vezes esquecia de respirar. Porque tudo isso agora? O que ele queria afinal? Senti uma lágrima descendo por minha bochecha.
- “She will always be my sun kissed trampoline
She's goes up and down in my heart
Turned into jelly beans
And I'm starting to believe that dangers never near
When Joanna is here”
Ele parou de tocar e limpou a minha bochecha. Sorriu para mim, de um jeito que só ele sabia. E quando eu hesitei em falar algo, ele me silenciou com o seu dedo, pegou de novo seu violão, e recomeçou.
- “God, I love Joanna
But she don't understand much
I love it when our hands touch
Knowing that I'm near”
Encostei as costas da minha mão em seu rosto e ele fechou seus olhos. Aproximei-me dele até encostar meu nariz no dele. E ficamos assim. Não sei quantos segundos ou minutos passou. Eu poderia ter ficado daquele jeito pra sempre. Sentindo o cheiro dele roçar o meu nariz, a pele dele tocar a minha. E foi quando eu percebi que a música tinha acabado. Mas a nossa historia não. Então eu fechei meus olhos, e senti seus lábios no meu.
- “When Joanna is here” – Ele sussurou. E nós dois sorrimos a ver o sol começar a iluminar o céu.
Eu escrevi isso durante uma aula inacabável de física, então espero que não tenham se decepcionado demais, xx.
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Que. Coisa. Perfeita. Caramba, Taiane... Quem me dera ter inspiração pra fazer uma coisa dessas numa aula de física! Eu só tenho sono durante esse aula.
ResponderExcluirMaria Beatriz (Bih).
Tai que lindo!
ResponderExcluirTo chorando que nem uma descontrolada louca aqui (':
duas palavras: me arrepiei.
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